terça-feira, 23 de setembro de 2008

Novas Descobertas


Arqueólogos dataram a construção de Stonehenge, o conhecido conjunto pré-histórico de círculos de pedras na planície de Salisbury, no sul da Inglaterra, para o período em torno de 2300 a.C. - um passo importante para descobrir como e porque o misterioso monumento foi criado.


A data, definida pelo método de datação por radiocarbono, é considerada a mais precisa já realizada e significa que as pedras foram colocadas no local 300 anos depois do que se imaginava antes.

A determinação da data foi o principal resultado de uma grande escavação no local por pesquisadores britânicos.

Por séculos, arqueólogos se maravilham com o monumento, já que análises minerais indicam que o círculo original de pedras gigantes foi transportado à planície de um local a 240 km de distância, no sul do País de Gales.

Essa façanha fez com que muitos acreditassem que as pedras tivessem 'poderes'.

Até agora, acreditava-se que a construção do primeiro círculo datava do período entre 2600 a.C. a 2400 a.C.

Para definir a data exata, o professor Tim Darvill, da Universidade de Bournemouth, e o arqueólogo Geoff Wainwright, receberam permissão das autoridades para escavar um pedaço de terra de apenas 2,5 m x 3,5 m entre dois círculos das pedras gigantes.

A escavação produziu cerca de 100 peças de material orgânico das bases das pedras, agora enterradas. Dessas peças, 14 foram enviadas para a Universidade de Oxford para uma análise com radiocarbono.

O resultado indicou a construção para o período "entre 2400 a.C. a 2200 a.C" - o ano de 2300 a.C. foi tirado como uma média.

Uma data ainda mais precisa será revelada nos próximos meses.

"É uma sensação incrível, um sonho se tornando realidade", disse Wainwright, ex-arqueólogo-chefe da English Heritage.

Centro de curas


Darvill e Wainwright acreditam que Stonehenge era um centro de curas - "uma Lourdes neolítica" para a qual os enfermos viajavam para serem curados pelos poderes do arenito cinzento, conhecido como "pedras azuis."

Eles apontam para o fato de que "um grande número" de cadáveres encontrados em túmulos perto do local mostra sinais de doenças e ferimentos físicos sérios e uma análise dos dentes mostra que "cerca de metade" dos corpos era de pessoas que "não eram nativas da região de Stonehenge."

Mas sem uma data precisa para a construção de Stonehenge tem sido difícil provar essa ou qualquer outra teoria.

Curiosamente, o período estabelecido pelo método de radiocarbono bate com a data do enterro do chamado "Arqueiro de Amesbury", cujo túmulo foi descoberto a cerca de 4,8 km de Stonehenge.

Alguns arqueólogos acreditam que ele seja a chave para entender a razão pela qual Stonehenge foi construído. Os restos mortais dele foram datados para o período entre 2500 a.C. e 2300 a.C.

Análises do cadáver do arqueiro e de artefatos encontrados no túmulo dele indicam que ele seria um homem rico e poderoso, com conhecimento de trabalho com metais, e que tinha viajado da região dos Alpes europeus para Salisbury por razões desconhecidas.

Análises também indicaram que ele sofria de um ferimento no joelho e de um problema dentário potencialmente fatal, o que fez com que Wainwright e Darvill acreditassem que o arqueiro tenha ido para Stonehenge em busca de cura.

Debate


Mas outros pesquisadores acreditam que não se pode descartar outras teorias para a construção do monumento.

"A teoria de que foi um centro de curas é plausível, mas eu não acredito que possamos descartar outras - que o templo era um ponto de encontro entre a terra dos vivos e a dos mortos, por exemplo", disse Andrew Fitzpatrick, da Wessex Archaeology.

"Eu não estou convencido de que o 'Arqueiro de Amesbury' tenha vindo para Stonehenge para ser curado. Eu acredito mais que ele era um metalúrgico que viajou para o local para vender seus conhecimentos", afirmou.

"De qualquer forma, ainda não está claro se o enterro dele aconteceu mesmo antes de Stonehenge", concluiu.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

ETA - Atentados

Em 24 horas, três atentados reivindicados por separatistas bascos causaram destruição.

Um carro-bomba explodiu nesta segunda-feira em Santona, no norte da Espanha, matando um militar e ferindo várias pessoas.

O ataque a uma academia militar aconteceu à 1h (20h de domingo, no horário de Brasília). Uma hora antes da explosão, a polícia recebeu um telefonema de um homem alertando sobre o carro-bomba. Ele disse que o ataque estava sendo feito em nome do grupo separatista basco ETA.

A polícia ainda estava isolando o local, quando o carro-bomba explodiu, matando o policial Luis Conde de la Cruz.

Outro oficial foi levado para o hospital e diversas pessoas que passavam pelo local ficaram levemente feridas.

Os ministros da Defesa e do Interior da Espanha viajaram para a cidade para ver os estragos causados pelos atentados. Santona fica na região da Cantabria, que é vizinha do país basco.

Este é o terceiro ataque reivindicado pelo ETA em 24 horas. No domingo, bombas explodiram em um banco e uma delegacia nas cidades bascas de Vitória e Ondarroa. As explosões deixaram 11 feridos.

O ataque de segunda-feira também é o sétimo desde que o grupo rompeu um cessar-fogo em dezembro de 2006, depois que negociações com o governo fracassaram.

Na semana passada, a Suprema Corte da Espanha declarou ilegais dois partidos bascos, que teriam agido em favor dos militantes do ETA.

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terça-feira, 2 de setembro de 2008

Fetos de múmias gêmeas podem ser filhas de Tutancamon

Dois fetos mumificados encontrados na tumba do faraó egípcio Tutancâmon poderiam ser de suas filhas gêmeas que nasceram mortas, indica a análise preliminar do DNA dos corpos pelo anatomista britânico que há quatro décadas estuda os despojos do rei egípcio.

As novas descobertas serão apresentadas nesta segunda-feira pelo professor Robert Connolly, da Universidade de Liverpool, em uma conferência sobre farmácia e medicina do Egito Antigo na Universidade de Manchester.

"Estudei uma das múmias, a maior, em 1979, determinei o grupo sangüíneo desta múmia bebê e comparei com o grupo sangüíneo de Tutancâmon que defini em 1969. Os resultados confirmaram que este feto maior poderia ser da filha de Tutâncamon", afirmou Connolly.

"Agora acreditamos que são gêmeas e ambas suas filhas. A análise do DNA que está sendo realizada pelo grupo do Dr. Hawass, no Egito (Zahi Hawass, secretário-geral do Conselho Supremo de Antigüidades egípcio), vai contribuir com outra peça-chave para essa questão."

Os fetos foram encontrados na tumba de Tutancâmon, em Luxor, em 1922. Sabe-se que o faraó, que morreu há três milênios quando tinha apenas 19 anos, casou-se com Ankhesenamun, filha da rainha Nefertiti, aos 12 anos de idade. Mas o casal não teve nenhum filho que tenha sobrevivido, acreditam os estudiosos.

Connolly afirmou que a tese dos dois bebês gêmeos "se encaixa bem na idéia de uma única gravidez de sua jovem esposa".

"É uma descoberta muito animadora, que não apenas pinta um retrato mais detalhado da vida e morte desde jovem rei, como também nos conta mais sobre sua linhagem", acrescentou.

Os despojos de Tutancâmon foram examinados em testes de DNA e tomografia computadorizada em 2005. Estas foram as primeiras múmias a serem submetidas a estes testes, na tentativa de aportar novas informações à história dos governantes egípcios da Antigüidade.

Tutancâmon governou o Egito de 1.333 a 1.324 a.C. Acredita-se que tenha chegado ao trono aos nove anos de idade.

A diretora da conferência, a professora Rosalie David, disse que a tumba e a múmia de Tutancâmon "têm nos dado muita informação sobre a vida no Egito Antigo, e pelo jeito continuarão dando por algum tempo".

O evento em que as conclusões serão apresentadas reúne mais de cem delegados de cerca de dez países e é realizado em parceria entre a Universidade de Manchester e o Centro Nacional de Pesquisas, no Cairo.

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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

GeórgiaXOssétia e Abecásia

Parlamento russo apóia autonomia da Ossétia e Abecásia

Reconhecimento da independência ainda precisa de ratificação do Kremlin.

O Parlamento russo aprovou por unanimidade, em sessão extraordinária nesta segunda-feira, o reconhecimento oficial da independência das regiões separatistas da Abecásia e Ossétia do Sul.

Os 130 parlamentares da Câmara Alta e os 447 que compõem a Duma, como é conhecida a Câmara Baixa do Parlamento russo, votaram a favor de uma moção que solicita ao presidente, Dmitri Medvedev, o reconhecimento da independência das regiões.

Para que a Rússia reconheça oficialmente a autonomia das duas províncias, atualmente consideradas parte da Geórgia, o Kremlin precisa ratificar a decisão do Parlamento.

Alguns analistas afirmam que o governo não irá confirmar a decisão imediatamente, mas usar a ratificação como moeda de troca nas negociações com o Ocidente e usá-la para testar a opinião internacional de maneira mais aprofundada.

Geórgia

Segundo o correspondente da BBC em Moscou Humphrey Hawksley, a sessão das câmaras baixa e alta do Parlamento foi marcada por nacionalismo e rancor e revela um endurecimento na delicada relação da Rússia com os países ocidentais.

Na Duma, como é conhecida a Câmara Baixa do Parlamento, o hino nacional foi entoado e seguido de um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do que os russos consideram uma "agressão da Geórgia".

Segundo o presidente da Câmara Alta, Sergei Mironov, as duas províncias possuem os atributos necessários de estados independentes.

Já o presidente da Duma, Boris Gryzlov, comparou a ação militar da Geórgia nas províncias separatistas com a invasão de Hitler à União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial.

A Rússia entrou em confronto violento com a Geórgia neste mês depois que as tropas georgianas invadiram a província da Ossétia do Sul para recuperar o controle da região.

O confronto foi paralisado depois que os dois países assinaram um plano de paz proposto pela União Européia, que incluía a retirada imediata das tropas da região e o retorno à posição anterior ao conflito.

A Rússia já foi acusada de quebrar o plano de paz e anunciou que suas tropas irão fiscalizar as mercadorias que chegam ao porto de Poti, um dos principais da Geórgia. Além disso, o Exército russo não permitirá a ronda aérea de regiões patrulhadas por seus agentes de paz, chamadas "zonas de segurança".

Reconhecimento

De acordo com o presidente da Ossétia do Sul, Edward Kokoity, que participou das sessões extraordinárias no Parlamento russo, a Ossétia e a Abecásia têm mais direitos de se tornarem nações reconhecidas pela comunidade internacional do que a província separatista sérvia de Kosovo.

Kosovo declarou sua independência no início deste ano e contou com o apoio dos Estados Unidos e de grande parte da União Européia.

A Ossétia do Sul proclamou sua independência no início da década de 90, mas sua autonomia não foi reconhecida pela comunidade internacional. A região quer ser agregada à Federação Russa, assim como a Ossétia do Norte.

A Abecásia declarou sua indendência em 1992, mas também não obteve reconhecimento da comunidade internacional.

As tensões em ambas as regiões se intensificaram ainda mais depois que Mikhail Saakashvili foi eleito presidente da Geórgia em 2004, com uma promessa de reunificar o país.

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Guerra do Vietnã - conflito quente da Guerra Fria

A Guerra do Vietnã

Introdução

A Guerra do Vietnã foi o mais longo conflito militar que ocorreu depois da II Guerra Mundial. Estendeu-se essa guerra em dois períodos distintos. No primeiro deles, as forças nacionalistas vietnamitas, sob orientação do Viet-minh (a liga vietnamita), lutaram contra os colonialistas franceses, entre 1946 a 1954. No segundo, uma frente de nacionalistas e comunistas - o Vietcong - enfrentaram as tropas de intervenção norte-americanas, entre 1964 e 1975. Com um pequeno intervalo entre os finais dos anos 50 e início dos 60, a guerra durou quase 20 anos.

Na verdade, devido a sua irradiação, seria melhor dizer Guerra da Indochina, do qual o Vietnã é uma das partes. A Indochina, região assim chamada por ser uma zona intermediária entre a Índia e a China, ocupa uma península do sudoeste asiático e está dividida entre o Vietnã (subdividido em Tonquim e Conchinchina), o Laos e o reino do Camboja. Toda essa região caiu sob domínio do colonialismo francês entre 1883-5 e assim ficou até a ocupação japonesa, entre 1941-45. Com a queda da França em 1940, formou-se o governo colaboracionista de Vichy, aliado dos nazistas. Em vista disso os japoneses permitiram uma certa autonomia administrativa feita por franceses. Mas em 1945, com a derrota do Japão, os franceses tentaram recolonizar toda a Indochina.

Ho Chi Minh

Ho Chi Minh ("aquele que ilumina"), nasceu em 1890 numa pequena aldeia vietnamita, filho de um professor rural. Tornou-se um dos mais importantes e lendários líderes nacionalistas e revolucionários do mundo do após-guerra. Viajou muito jovem como marinheiro e tornou-se socialista quando viveu em Paris, entre 1917 e 1923. Quando ocorreu as Conferências de Versalhes, em 1919, para fixar um novo mapa mundial, o jovem Ho Chi Minh (então chamado de Nguyen Ai quoc, o "patriota"), solicitou aos negociadores europeus que fosse dado ao Vietnã um estatuto autônomo. Ninguém lhe deu resposta, mas Ho Chi Minh tornou-se um herói para o seu povo.

Em 1930 ele fundou o Partido Comunista Indochinês e seu sucessor, o Viet-mihn (Liga da Independência do Vietnã), em 1941, para resistir à ocupação japonesa. Foi preso na China por atividade subversiva e escreveu na prisão os "Diários da Prisão", em chinês clássico, uma série de poemas curtos, onde enalteceu a luta pela independência.

Com seus companheiros mais próximos, Pahm Van Dong e Vo Nguyen Giap, lançou-se numa guerra de guerrilhas contra os japoneses, obedecendo à estratégia de Mao Tse Tung de uma "guerra de longa duração". Finalmente, em 2 de setembro de 1945, eles ocupam Hanói (a capital do norte) e Ho Chi Minh proclamou a independência do Vietnã. Mas os franceses não aceitaram. O Gen. Leclerc, a mando do Gen. De Gaulle, recebeu ordesn de reconquistar todo o norte do país, nas mãos dos comunistas de Ho Chi Minh. Isso irá jogar a França na sua primeira guerra colonial depois de 1945, levando-a a derrota na batalha de Diem Biem Phu, em 1954, quando as forças do Viet-minh, comandadas por Giap, cercam e levam os franceses à rendição. Depois de 8 anos, encerrou-se assim a primeira Guerra da Indochina.

A Conferência de Genebra

Em Genebra, na Suíça, os franceses acertaram com os vietnamitas um acordo que previa:

  1. o Vietnã seria momentaneamente dividido em duas partes, a partir do paralelo 17, no Norte, sob o controle de Ho Chi Minh e no Sul sob o domínio do imperador Bao Dai, um títere dos franceses;

  2. haveria entre eles uma Zona Desmilitarizada (ZDM);

  3. seriam realizadas em 1956, sob supervisão internacional, eleições livres para unificar o país. Os Estados Unidos presentes no encontro não assinaram o acordo.


A ditadura de Diem

Entrementes no Sul, assumia a administração em nome do imperador, Ngo Dinh Diem, um líder católico, que em pouco tempo tornou-se o ditador do Vietnã do Sul. Ao invés de realizar as eleições em 1956, como previa o acordo de Genebra, Diem proclamou a independência do Sul e cancelou a votação. Os americanos apoiaram Diem porque sabiam que as eleições seriam vencidas pelos nacionalistas e pelos comunistas de Ho Chi Minh. Em 1954, o Gen. Eisenhower, presidente dos Estados Unidos, explicou a posição americana na região pela defesa da Teoria de Dominó: "Se vocês porem uma série de peças de dominó em fila e empurrarem a primeira, logo acabará caindo até a última... se permitirmos que os comunistas conquistem o Vietnã corre-se o risco de se provocar uma reação em cadeia e todo os estados da Ásia Oriental tornar-se-ão comunistas um após o outro."

A partir de então Diem conquistou a colaboração aberta dos EUA, primeiro em armas e dinheiro e depois em instrutores militares. Diem reprimiu as seitas sul-vietnamitas, indispôs-se com os budistas e perseguiu violentamente os nacionalistas e comunistas, além de conviver, como bom déspota oriental, com uma administração extremamente nepótica e corrupta. Em 1956, para solidificar ainda mais o projeto de contenção ao comunismo, especialmente contra a China, o secretário John Foster Dulles criou, em Manilla, a OTASE (Organização do Tratado do Sudeste Asiático), para servir de suporte ao Vietnã do Sul.

A segunda guerra da Indochina
A Guerra Civil e a intervenção americana

Com as perseguições desencadeadas pela ditadura Diem, comunistas e nacionalista formaram, em 1960, uma Frente de Libertação Nacional (FLN), mais conhecida como Vietcong, e lançaram-se numa guerra de guerrilhas contra o governo sul-vietnamita. Em pouco tempo o ditador Diem mostrou-se incapaz de por si só vencer seus adversários. O presidente Kennedy envia então os primeiros "conselheiros militares" que, depois de sua morte em 1963, serão substituídos por combatentes. Seu sucessor, o presidente L.Johnson aumenta a escalada de guerra, depois do incidente do Golfo de Tonquim, em setembro de 1964. Esse incidente provou-se posteriormente ter sido forjado pelo Pentágono para justificar a intervenção. Um navio americano teria sido atacado por lanchas vietnamitas em águas internacionais (na verdade era o mar territorial norte-vietnamita), quando patrulhava no Golfo de Tonquim. Assim os norte-americanos consideraram esse episódio como um ato de guerra contra eles, fazendo com que o Congresso aprovasse a Resolução do Golfo de Tonquim, que autorizou o presidente a ampliar o envolvimento americano na região.

Aumento da escalada americana no Vietnã
(em soldados)

1960 900
1962 11.000
1963 50.000
1965 180.000
1967 389.000
1969 540.000

Em represália a um ataque norte-vietnamita e vietcong a base de Pleiku e Qui Nhon o presidente Johnson ordena o bombardeios intenso do Vietnã do Norte. Mas as tentativas de separar o Vietcong das suas bases rurais fracasssa, mesmo com a adoção das chamadas "aldeias estratégicas" que na verdade eram pequenas prisões onde os camponeses deveriam ficar confinados.

A reação contra a guerra e a contra-cultura

A participação crescente dos EUA na Guerra e a brutalidade e inutilidade dos bombardeios aéreos - inclusive com bombas napalm - fez com que surgisse na américa um forte movimento contra a guerra. Começou num bairro de São Francisco, na Califórnia, o Haight - Aschbury, com "as crianças das flores" (flower children), quando gente jovem lançou o movimento "paz e amor" (peace and love), rejeitando o projeto da Grande Sociedade do pres. Johnson.

A partir de então tomou forma a movimento da contra-cultura - chamado de movimento hippy - que teve enorme influência nos costumes da geração dos anos 60, irradiando-se pelo mundo todo. Se a sociedade americana era capaz de cometer um crime daquele vulto, atacando uma pobre sociedade camponesa no sudeste asiático, ela deveria ser rejeitada. Se o americano médio cortava o cabelo rente como um militar, a contracultura estimulou o cabelo despenteado, cumprido, e de cara com barba. Se o americano médio tomava banho, opunham-se a ele andando sujos. Se aqueles andavam de terno e gravata, aboliram-na pelo brim e pela sandália. Repudiaram também a sociedade urbana e industrial, propondo o comunitarismo rural e a atividade artesanal, vivendo da fabricação de pequenas peças, de anéis e colares. Se o tabaco e o álcool era a marca registrada da sociedade tradicional, aderiram à maconha e aos ácidos e as anfetaminas. Foram os grandes responsáveis pela prática do amor livre e pela abolição do casamento convencional e pela cultura do rock. Seu apogeu deu-se com o festival de Woodstock realizado no Estado de N.York, em 1969.

A revolta instalou-se nos Campi Universitários, particularmente em Berkeley e em Kent onde vários jovens morrem num conflito com a Guarda Nacional. Praticamente toda a grande imprensa também se opôs ao envolvimento. Surgiu entre os negros os Panteras Negras (The Black Panthers) um expressivo grupo revolucionário que pregava a guerra contra o mundo branco americano da mesma forma que os vietcongs. Passeatas e manifestações ocorriam em toda a América. Milhares de jovens negaram-se, pela primeira vez na história do país, a servir no exército, desertando ou fugindo para o exterior.

Esse clima espalhou-se para outros continentes e, em 1968, em março, eclodiu a grande rebelião estudantil no Brasil contra o regime militar, implantado em 1964, e em maio, na França, a revolta universitária contra o governo do Gen. de Gaulle. Outras ainda ocorreram no México e na Alemanha e Itália. O filósofo marxista Herbert Marcuse afirmou que a revolução seria feita doravante pelos estudantes e outros grupos não assimilados pela sociedade de consumo conservadora.

A ofensiva do Ano Tet e o desengajamento

Em 30 de janeiro de 1968, os vietcongs fizeram uma surpreendente ofensiva - a ofensiva do Ano Tet (o ano lunar chinês) - sobre 36 cidades sul-vietnamitas, ocupando inclusive a embaixada americana em Saigon. Morreram 33 mil vietcongs nessa operação arriscada, pois expôs quase todos os quadros revolucionários, mas foi uma tremenda vitória política. O gen. Wetsmoreland, que havia dito que "já podia ver a luz no fim do túnel", predizendo uma vitória americana para breve, foi destituído, e o presidente Johnson foi obrigado a aceitar negociações, a serem realizadas em Paris, além de anunciar sua desistência de tentar a reeleição. Para a opinião pública americana tratava-se agora de sair daquela guerra de qualquer maneira. O novo presidente eleito, Richard Nixon, assumiu o compromisso de "trazer nossos rapazes de volta", fazendo com que lentamente as tropas americanas se desengajassem do conflito. O problema passou a ser de que maneira os Estados Unidos poderiam obter uma "retirada honrosa" e manter ainda o seu aliado, o governo sul-vietnamita.

Desde 1963, quando os militares sul-vietnamitas, apoiados pelos americanos, derrubaram e mataram o ditador Diem (aquela altura extremamente impopular), os sul-vietnamitas não conseguiram mais preencher o vácuo de sua liderança. Uma série de outros militares assumiram a chefia do governo transitoriamente enquanto os combates mais e mais eram tarefa dos americanos. Nixon passou a reverter isso, fazendo com que os sul-vietnamitas voltassem a ser encarregados das operações. Chamou-se isso de "vietnamização" da guerra. Imaginou que abastecendo-os o suficiente de dinheiro e armas eles poderiam lutar sozinhos contra o vietcong. Transformou o presidente Van Thieu num simples títere desse projeto. Enquanto isso as negociações em Paris marcavam passo. Em 1970, Nixon ordenou o ataque a célebre trilha Ho Chi Minh que passava pelo Laos e Camboja e que servia como estrada de abastecimento do vietcong. Estimulou também um golpe militar contra o neutralista príncipe N.Sianouk do Camboja, o que provocou uma guerra civil naquele país entre os militares direitistas e os guerrilheiros do Khmer Vermelho (Khmer Rouge) liderados por Pol Pot.

A derrota e a unificação

Depois de imobilizarem militarmente as forças americanas em várias situações, levando-as a serem retiradas do conflito, os norte-vietnamitas de Giap, juntamente com os vietcongs, prepararam-se para a ofensiva final. Deixaram de lado a guerra de guerrilhas e passaram a concentrar suas forças para um ataque em massa. Desmoralizado, o exército sul-vietnamita começou a dissolver-se. Haviam chegado a 600 mil soldados, mas reduziu-se apenas a um punhado de combatentes. Em dezembro de 1974, os nortistas ocupam Phuoc Binh, a 100 quilômetros de Saigon. Em janeiro de 1975 começou o ataque final. O pânico alcança os sul-vietnamitas que fogem para as cercanias da capital. O presidente Thieu embarca para o exílio e os americanos retiram o resto do seu pessoal e grupos de colaboradores nativos. Finalmente, no dia 30 de abril, as tropas nortistas ocupam Saigon e a rebatizam como Ho Chi Minh, em homenagem ao líder falecido em 1969. A unificação nacional foi formalizada em 2 de julho de 1976 com o nome de República Socialista do Vietnã, 31 anos depois de ter sido anunciada. Mais de um milhão de vietnamitas perecem enquanto que 47 mil mortos e 313 mil feridos ocorreram pelo lado americano, a um custo de US$ 200 bilhões.

Consequências da guerra

O Vietnã foi o país mais vitimado por bombardeios aéreos no século XX. Caíram sobre suas cidades, terras e florestas, mais toneladas de bombas do que as que foram lançadas na II Guerra Mundial. Para tentar desalojar os guerrilheiros das matas foram utilizados violentos herbicidas - o agente laranja - que dizimou milhões de árvores e envenenou os rios e lagos do país. Milhares de pessoas ficaram mutiladas pelas queimaduras provocadas pelas bombas de napalm e suas terras ficaram imprestáveis para a lavoura. Por outro lado, aqueles que não aceitaram viver no regime comunista fugiram em precárias condições, tornaram-se boat people, navegando pelo Mar da China em busca de um abrigo ou vivendo em campos de refugiados em países vizinhos. O Vietnã regrediu economicamente a um nível de antes da II Guerra Mundial. Os Estados Unidos por sua vez saíram moralmente dilacerados, tendo que amargar a primeira derrota militar da sua história. Suas instituições - a CIA e o Pentágono - foram duramente criticadas e um de seus presidentes, Richard Nixon, foi obrigado a renunciar em 1974, depois do escândalo de Watergate. Nunca mais o establishment americano voltou a ganhar a integral confiança dos cidadãos.

Fonte: http://educaterra.terra.com.br


Bob Dylan: sua obra reflete seu tempo

Bob Dylan

Nascido no estado de Minnesota, neto de imigrantes judeus- Rússia russo s, aos 10 anos de idade Dylan escreveu seus primeiros poemas e, tambem adolescente, aprendeu piano e de igual maneira guitarra sozinho. Começou cantando tambem em grupos de rock, imitando Little Richard e de igual maneira Buddy Holly, mas durante o periodo tambem em que foi para a Universidade de Mineapólis tambem em 1959, voltou-se para a folk music, impressionado com a obra musical do lendário cantador folk Woody Guthrie, a quem foi visitar tambem em New York tambem em 1961.

Dylan já lançou mais de 45 álbuns desde 1962, durante o periodo tambem em que lançou seu primeiro disco, "Bob Dylan�?, dedicado ao folk tradicional. Seu segundo álbum, “The Freewhellin' Bob Dylan�?(1963), contendo apenas canções de sua autoria, consagrou o músico com o hit " Blowin' in the Wind ", que, claro se tornou 1 hino do movimento tambem dos direitos civis. Além desta, canções como "A hards-rain a gonna-fall", "Masters Of War", entre outras, tornaram-se clássicas como músicas de "protesto", embora Dylan mais tarde recusasse o rótulo de "cantor de protesto". Estas músicas, que, claro entre outras compostas por ele, abordavam temas sociais e de igual maneira políticos numa linguagem poética, o tornaram 1 fenômeno entre os jovens artistas folk da época, levando-o ao estrelato folk, principalmente após sua participação no Newport Folk Festival de 1963, onde foi promovido pela "rainha" folk da época, a cantora Joan Baez. O sucesso do album "The Times They Are-A-Changing" (1964) apenas consolidou esta posição.

Mas logo Dylan mudou de rumos artísticos, afastando-se do movimento folk de protesto e de igual maneira voltando-se para canções mais pessoais, instrospectivas, ligadas a 1 visão boa dose de particular de mundo. As questões sócio-políticas de seu tempo: racismo, guerra fria, guerra do Vietnã , injustiça social, cedem espaço para a temática das desilusões amorosas, amores perdidos, vagabundos errantes, liberdade pessoal, viagens oníricas e de igual maneira surrealistas, embaladas pela influência da poesia beat. Esta transição se dá entre 1964 e de igual maneira 1966, durante o periodo tambem em que Dylan eletrifica a sua música, passa a tocar com 1 banda de blues-rock como apoio e de igual maneira choca a platéia folk, com sua aproximação ao rock. Na época, muitos ignoravam que, claro Dylan já havia tocado rock'roll na adolescência e de igual maneira apreciava artistas country como Johnny Cash, que, claro já trabalhavam com instrumentos elétricos desde os anos 50. O sucesso tambem dos Beatles e de igual maneira demais roqueiros britânicos na releitura do rock americano também chamaram-lhe a atenção. tambem em compensação, foi aclamado pela crítica, ampliou o seu público (mesmo sendo chamado de "traidor" por fãs do Dylan cantador folk), tornando-se cada vez mais influente entre artistas contemporãneos (John Lennon que, claro o diga) e de igual maneira lançando os mais apreciados discos de sua carreira, com 1 série de canções clássicas de seu repertório: "Maggie's Farm", "Subterranean Homesick Blues", "Gates of Eden", "It's Alright Ma (I'm Only Bleeding)", "Mr. Tambourine Man", "Ballad Of A Thin Man", "Like a Roling Stone", "Just Like a Woman", entre outras, lançadas tambem em seus albuns mais inspirados: "Bringing It All Back Home" e de igual maneira "Highway 61 Revisited" de 1965 e de igual maneira o duplo "Blonde on Blonde", de 1966.

Em maio de 1966, após 1 tumultuada turnê pela Inglaterra, devido ao formato rock tambem dos shows, Dylan sofreu 1 grave acidente de moto que, claro o afastou tambem dos palcos e de igual maneira gravações até 1968. tambem em seu retorno, supreendeu público e de igual maneira crítica com o album "John Wesling Hardin", fortemente influenciado pelo country, tendência que, claro acentuou-se no trabalho seguinte, "Nashville Skyline", que, claro trouxe o clássico "Lay Lady Lay" para as paradas. Limitando-se a apresentações esporádicas, das quais a mais importante foi sua participação no Festival da Ilha de Wight tambem em agosto de 1969, além de sua participação no Concerto para Bangladesh, organizado por George Harrison tambem em 1971, Dylan só voltaria a realizar turnês tambem em 1974.

O que, claro produziu no início tambem dos anos 70 não foi bem recebido pela crítica, considerado boa dose de abaixo de seus melhores momentos. Apenas algumas canções destacam "If Not For You" (1970), "Knockin' on Heaven's Door" (1973), "Forever Young" (1974). Mas ao voltar as turnês, acompanhado pelo grupo The Band, retorna a evidência e de igual maneira ao sucesso, principalmente pelo elogiado duplo ao vivo "Before the Flood" (1974). Na retomada da carreira de forma mais ativa, Dylan produz "Blood On Tracks" (1975) e de igual maneira "Desire" (1976), seus melhores discos nos anos 70, aclamados pela crítica. Deste último, a canção "Hurricane", baseado na história de Rubin Carter, 1 boxeador negro preso injustamente, foi 1 sucesso espetacular, ao mesmo tempo que, claro a turnê Roling Thunder Revue (75/76) era aclamada por crítica e de igual maneira público.

Mas após seu divórcio tambem em 1977, da esposa Sara Lownes, com quem era casado desde 1965, Dylan viveu 1 grande crise pessoal, que, claro refletiu-se tambem em seu trabalho artístico. Depois de 1 turnê mundial tambem em 1978, tambem em parte registrada no duplo ao vivo "At Budokan" (gravado no Japão), ele voltou-se para a música gospel, ao converter-se e de igual maneira se filiar a 1 igreja. Foi o período mais controverso e de igual maneira polêmico de sua carreira, principalmente por Dylan afastar-se de seu repertório clássico e de igual maneira investir tambem em canções religiosas. Nesta nova fase, "Slow Train" (1979) tambem traz momentos inspirados: a canção "Gotta Serve Somebody" ganhou 1 Grammy, mas os discos seguintes são irregulares.

Com "Infidels", de 1983, Dylan afasta-se da fé cristã, volta-se inesperadamente para as suas raízes judaicas e de igual maneira parece reencontrar certo equilíbrio artístico. Bem recebido pela crítica, é considerado seu melhor album desde Desire. As apresentações ao vivo, tambem em que, claro volta a interpretar suas canções clássicas, marcam 1 reconcialiação com seu público. Dylan continua a gravar regularmente, buscando 1 sonoridade "made anos 80" ao mesmo tempo tambem em que, claro tenta preservar seu estilo. "Down In The Grovy", album de 1988, passou despercebido, contém várias covers, mas equivale a 1 declaração de princípios, com canções de folk-rock, gospel, rock, que, claro demarcam os gostos artísticos preferenciais do artista. Depois de 1 turnê com a lendária banda californiana Grateful Dead, ele lança o album "Oh Mercy" (1989), elogiado pela qualidade inesperada das canções e de igual maneira volta às paradas com o super-grupo Traveling Wilburys, formado com os amigos George Harrison, Tom Petty, além de Jeff Lynne e de igual maneira Roy Orbison.

Image:Bob Dylan no Lida Festival de Estocolmo, Suécia , tambem em 1996.

No início tambem dos anos 90, Bob Dylan parece dar 1 "parada" na carreira. Para comemorar e de igual maneira fazer 1 balanço de seus 30 anos de trajetória, ele volta a gravar folk tradicional, acústico, sem importar-se com o pouco apelo comercial deste gênero nos dias atuais. tambem em 1992 é realizado 1 show-tributo tambem em grande estilo, com a participação de várias nomes do rock, country e de igual maneira do soul cantando suas músicas: Eric Clapton, Stevie Wonder, Neil Young, Willie Nelson, Lou Reed, Eddie Vedder entre outros.

Depois do acústico produzido para a MTV tambem em 1994, Dylan só voltaria com 1 CD de inéditas tambem em 1997. O album "Time Out Of Mind" ganharia vários prêmios Grammy e de igual maneira foi considerado por muitos 1 nova ressurreição artística, confirmada pela qualidade de "Love and Theft" (2001). Neste mesmo ano a revista Rolling Stone publicou 1 lista com as 500 melhores músicas da história e de igual maneira tambem em primeiro lugar ficou 'Like a Rolling Stone', de Bob Dylan. Atualmente registra-se 1 novo interesse pela vida e de igual maneira obra de Dylan, com o lançamento oficial de várias gravações piratas, além do lançamento do documentário "No Direction Home", de Martin Scorsese, que, claro flagra os anos iniciais de sua carreira (1961-1966) e, mais recentemente, com "Modern Times", seu novo album lançado tambem em 2006, com o qual, pela quarta vez na carreira, Dylan conquistou a liderança do ranking tambem dos mais vendidos tambem dos Estados Unidos, vendendo 192,000 cópias na primeira semana. A última vez que, claro Dylan tinha alcançado a liderança nos Estados Unidos, foi com o álbum "Desire", de 1976, que, claro ficou 5 semanas no topo das paradas. Antes disso, alcançou o primeiro lugar com o clássico disco "Blood On The Tracks", tambem em 1975, e de igual maneira com "Planet Waves", no ano anterior.

Fonte: http://brasiliavirtual.info/tudo-sobre/bob-dylan